segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O vinho branco no pais do carnaval.

Por que será que num país como o Brasil , de clima tropical, onde na maior parte desta extensão continental, com temperaturas médias acima dos 25º o ano todo, não se bebem vinhos brancos e rosados?
Será tão grave assim a lembrança ainda recente de vinhos de inferior qualidade que proliferaram por cá anos atrás?
Será porque passamos anos não fazendo propaganda de vinhos tão próprios para nosso clima, e ainda não a fazemos, que o uso e costume os tiraram do alvo? Tenho cá uma dúvida.
Como no Brasil, não temos as estações bem definidas, a não ser em uma pequena parte desta imensa geografia, e mesmo assim não muito diferenciada a não ser pelas chuvas ou secas, quando se fala de temperaturas, sempre se faz lembrar o calor, e calor por calor, ora bolas, estamos acostumados à ele, e além disto, falam mais alto nossas tradições colonizadoras, que nos ensinaram que vinho é tinto.
Tinto e forte como o sangue deste povo que veio desbravar terras novas e inóspitas, desde o começo da nossa história até os mais recentes episódios do século passado, principalmente no sul do país.

Pois é, vindo do sul justamente, temos uma boa aliança para saudar: A Vinícola Fabian, que faz seus vinhos na região de Nova Pádua, e o Rancho do Vinho.
Chega para nosso deleite, aproveitando a estação das flores, o bom Chardonnay desta vinícola, com o rótulo do Rancho do Vinho, o Nono Frizon que alíás, tive oportunidade de degustar e fazer palestra harmonizada, dois anos atrás.
Será que não é ser forte se deliciar com um belo branco, frutado e fresco, em um dia de calor, normal aliás em nossa terra?
Será que a próxima estação, a Primavera não nos remete aos bons momentos regados à um vinho branco?
Será que não temos um bom rosado, que não seja aquela versão mal acabada da mistura de um tinto medíocre com um branco pior ainda?
Quando falo em termos exemplares, não excluo nenhum país produtor, muito menos nosso torrão.
É preciso esclarecer estas dúvidas que talvez pairem nas mentes dos recém chegados ao mundo vínico, bem como é claro que temos que ter opções de boa relação preço x qualidade , venham de onde vierem.
Está mais do que na hora de nossos competentes enólogos, engenheiros agrônomos e responsáveis pelas vinícolas, só para falar das tupiniquins, desejarem e buscarem nesta seara, nossa vocação vinífera.
Deixem de lado a mania nacional de procurar tipicidade em vinhos que ainda não se fizeram, em terroirs que ainda são muito novos para comparações, muito exagero, pouco esmero.
Assim como temos belos exemplares de espumantes, creio que poderemos ter também ótimos brancos e rosados, aproveitando a acidez natural de algumas uvas próprias para estas vinificações, e a coincidência de chuvas na época da colheita, principalmente nos terroirs do sul de nossa terra.
Parabéns à iniciativa dos parceiros citados, e tenho a certeza de que é mais uma tacada de mestre para festejar nossos dias ensolarados.
Que tal bebermos um branco ou rosado, para cada dois tintos?
Breve teríamos aumentado o consumo, conseqüentemente, diminuído os preços e criado um novo paradigma.
Até o próximo brinde

Álvaro Cézar Galvão

2 comentários:

Gabriele disse...

Parabéns meu querido! Falou muito bem... pouco e essencial. Temos tudo para produzir brancos e rosados tão bons quanto os espumantes. E é bem verdade que com esse nosso clima, um branco à uma temperatura de 8 graus, às vezes cai muito melhor que um tinto à 18 graus, não achas???

Grande beijo e sucesso!!!

Gabriele Frizon

Álvaro Cézar Galvão disse...

Quem sabe batendo na tecla que nossa vocação vinícola são os brancos e espumantes, talvez o Merlot também, os produtores acordem
Obrigado pelos comentários
Beijos de luz
Álvaro