segunda-feira, 30 de junho de 2008

SE BEBER NÃO DIRIJA, SE DIRIGIR, NÃO BEBA!


Todos nós, amantes do bem e bom comer e beber, estamos nos perguntando quem poderia ter sido o mentor da lei sêca no Brasil.

Claro que abusos são intoleráveis e imperdoáveis, mas neste país, onde temos perdoados atos muito mais abusivos, escabrosos, vindos de pessoas, que teóricamente teriam que nos dar exemplos de conduta moral, civilidade, e educação, sem contar com os atos espúrios e torpes que estamos cansados de ver sem os merecidos castigos, me atrevo a imaginar o porque desta lei árida de bom senso.

Transcrevo um artigo postado em outro fórum, o de enogastronomia, que transcreve o pensar do meu amigo Záckia.

Prezados senhores,

"Escrevo-lhes para tornar público meu protesto contra a insensata e hipócrita lei que, na prática, proibe o consumo de qualquer quantidadede bebida que contenha álcool para os motoristas de veículos.O consumo moderado de bebidas, como o vinho e a cerveja, por exemplo, fazem parte da cultura dos povos do ocidente há séculos e estão incorporadas ao ritmo de vida das pessoas civilizadas.Não se trata aqui de defender a liberdade dos beberrões, que colocam em risco a segurança das pessoas; trata-se de garantir o direito de, após um dia estressante de trabalho, poder sair para jantar com sua esposa, namorada ou amigo e poder tomar ao menos duas taças de vinho que seja.O limite de 0,1 miligrama de álcool por litro de sangue ( a lei anterior, que era sensata, falava de 0,6 miligrama ) é ridículo e impraticável. Estão tentando implantar um modo de vida que me faz recordar a "Prohibition Law" (Lei Seca) norte-americana, de 1920, que tantos males acarretou à sociedade dos Estados Unidos e que só nos deixou de bom os filmes de gangsters sobre Al Capone, Eliot Ness e outros tantos que vieram na sua esteira.Nem mesmo as gentis velhinhas, que voltam de seus chás à tarde, guiando cuidadosamente seus carros após degustarem dois ou três bombons recheados de licor, estão a salvo ! Elas também podem pagar pesadas multas e serem implicadas criminalmente por este "gravíssimo erro". É revoltante que, em um país em que campeiam os mensalões, as falcatruas e o tráfico de drogas, nossos legisladores e homens públicos percam seu tempo com bobagens deste quilate. A sociedade tem que se opor a essa medida truculenta antes que seja tarde.Daqui a pouco vão exigir que as mulheres sejam cobertas por burcas com o pretexto de se evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis."
Aguinaldo Záckia Albert
Presidente da Confraria Degustadores Sem Fronteiras
Até o próximo brinde!

Álvaro Cézar Galvão

Um comentário:

Souza Araújo disse...

Proliferam, Brasil afora, leis municipais ora limitando o horário de funcionamento de bares e restaurantes, ora proibindo a venda de bebida alcoólica neste ou naquele lugar. São alternativas desesperadas de quem já cansou de enfrentar a violência urbana e não se sente protegido pelo Estado, no cumprimento do seu dever constitucional perante o cidadão.
Todos gostam de apontar que onde uma lei seca foi adotada as ocorrências policiais diminuíram tanto e tanto. Mas, que pesquisa é essa? Será que foram computados os casos de brigas entre vizinhos motivadas por alguns litros de álcool, pelo latido do cachorro, pelos decibéis a mais de um aparelho de som, por uma pipa ou uma bola que atravessou o muro da casa ao lado?

O que dizer das mulheres e das crianças espancadas ao fim de um domingo de macarronada com frango regada a cerveja? Ou daquela pancadaria no encerramento de uma partida de futebol? A quem estamos pretendendo enganar quando dizemos "você não poderá beber entre as 23 horas e duas da manhã", "neste ou naquele bar", mas poderá se emborrachar em sua casa, diante de seus filhos, sob os protestos de sua mulher?

É certo?